29 de maio de 2016

Você deveria amar a sua bunda grande, sério!


O ano de 2006 foi especialmente difícil pra mim. Tinha 14 anos e era acima do peso. Yeap, consideravelmente acima. Era o ano em que eu completaria o primeiro grau e minha mãe tentou o quanto pode me ajudar a emagrecer, pagando uma academia descolada e buffet natureba durante a semana. 

Meu pior pesadelo daqueles doze meses tinha nome composto: calça jeans. Vestia leegins e suplex pra tentar camuflar a cintura baixa, que me caía tão mal. Ah, e amarrava casaquetos e blusinhas de manga comprida na cintura, claro. Tudo pra esconder o tamanho GG do meu bumbum. Foram dias complicados.

Na escola, os guris adoravam "brincar" de atolar as meninas, uma babaquice de dar tapinha e sair correndo por aí. Ainda que poucos declarassem amor à minha figura grande demais e chamativa em excesso, era quase sempre a escolhida pra que eles afofassem essa parte tão protuberante do meu corpo. 

Os velhos nojentos já se mostravam tarados escrotos, assim como alguns amigos da família pouco disfarçavam olhares desconfortáveis - ainda que tivessem me visto crescer, acreditem. Dez anos se passaram, muitos quilos se foram, uma centena de sessões de terapia me moldou, algumas situações me mostraram que: eu amo a minha bunda grande. De verdade. Com todo o coração.

Ainda hoje, há fases em que meu peso sanfoneia: uma temporada de friaca e já aumentam as curvas. O verão, suas frutas e sucos, suas manguinhas cavadas e macaquinhos e todo os litros de água me ajudam a ficar fininha. Contudo, ela segue ali. Entre o 38 e o 40. Com seus 102, 104, 106 cm de circunferência. Em contraste à minha cintura fininha e com celulite, oras, sim. Redonda e arrebitadinha. Demorei a expressar isso, mas lá vai: amo a minha bunda GRANDE.

Amo jogar ao lado de Kim Kardashian, Iggy Azalea e J.Lo, amo a feminilidade que essa arma - ainda que em formato de escudo - me traz todo santo dia, ao passar creme hidratante. Amo visualizar minha sombra com sinuosidade e perigo. Amo dançar em baladas lotadas e saber que todo o meu protagonismo & força fica na parte de trás; e tem problema nenhum nisso. 

Isso significa que detesto o seu derriére menos favorecido? Nunca. Quer dizer, apenas, que olho no espelho e consigo compreender minha genética, não culpar minha mãe, me apaixonar pelas pintinhas impressas pelo sol de janeiro. Que quando perco peso e a vejo murchar, não me reconheço. E que ando maluca pra malhar novamente e a ver cada vez mais pra cima, chamativa e campeã. 

Mesmo que ela corte pela metade o tempo de minhas trepadas assim que em cena e emperre em brins durões. Ainda que esse acessório da natureza vulgarize toda e qualquer roupa mais colada e ganhe mais atenção que cabelo, umbigo e clavículas juntos. É amor, real, mensurável e adiposo. Mas ainda assim, um sentimento abundante.

28 de maio de 2016

12 motivos que vão te convencer a assistir Broad City


Amo Girls, fiquei doida por Master of None, Mad Men segue como meu seriado favorito, intocável. Entretanto, o momento é de amores e declarações públicas à Broad City, essa maravilha idealizada por Ilana Glazer e Abbi Jacobson, junto ao Comedy Central.

Sinto dó pela demora em ter iniciado minha maratona das três temporadas disponíveis por aí. Cada episódio contém vinte minutinhos de boas risadas + situações do cotidiano e minas REAIS, sem a bad vibe e o peso que Girls vez que outra traz.

Duas amigas quebradas, com corpos perfeitamente humanos, empregos lixo e aventuras desastrosas com os boys, quanto à grana e questões dos vinte e poucos. Quer motivos pra adicionar mais esse seriado à listinha dos assistíveis? Então toma:

1) Abbi e Ilana tem aquele tipo de amizade que todas nós buscamos: verdadeira, à prova de homens, sincerona e pra-qualquer-hora.

2) Elas tão sempre sem grana e ainda assim dão jeitinhos pra se divertir, seja devolvendo compras desnecessárias ou contando moedas do cofrinho.

3) Ambas são totalmente falidas no ~game dos boys~, ou seja: parece você e o seu grupinho. Chamam um aqui, outro ali e naaada de produtivo ocorre, nunca.


4) Mas, ainda assim, Ilana mantém uma amizade colorida bacana e gracinha com um boy, dentista (que é apaixonado por ela, o resto você mesma pode descobrir).

5) As músicas da serie são ótimas e tem muita Rihanna, Drake e Lady Gaga! Aliás, elas adoram hip-hop e frequentemente citam Beyoncé, Jay-Z e Blue Ivy. 💘

6) Sabe aquele humor nada forçado e bem empregado que Aziz coloca em Master Of None? Gosta? Se sim, baixe essa versão feminina sem medo!


7) Se você divide apartamento e possui roomates (ou já possuiu), com toda certeza vai se identificar com as situações que as gurias passam com os seus.

8) Ilana é muito, muito doidinha e possivelmente não existiria na vida real. Mas ô vontade de ser ela! Livre, autêntica e espontaneamente engraçada. Ter uma amiga parecida já seria sonho realizado.

9) Abbi poderia ser qualquer uma de nós: tem seus rompantes de cólera, sinceridades e paixonites pelo vizinho. Enquanto não rola viver da própria arte, sofre num trampo onde não é reconhecida - mas boatos que isso muda ao longo das temporadas.


10) Elas, o seriado, as músicas, os rolês em que se enfiam: é muito da gente, é humano num nível que a gente ri pra não chorar, mas sente aquela pulguinha atrás da orelha que nos motiva a sair e viver umas coisas também. Umas rainhas!

11) Curte dar ~um tapa na pantera~? Então assista, por favor. Assista! 😉

12) Eu viciei meu irmão na serie. E mais duas amigas. Todos bem diferentes um do outro. Ou seja: é à prova de qualquer tipo de gente, fácil de chegar em tudo quanto é coraçãozinho. 💖


25 de maio de 2016

Alteregos



Carol é superorganizada. Maníaca, quase. Adora limpeza, tem as roupas separadas por cor, cria planilhas pra tudo quanto é coisa. Atraso não é do seu feitio, assim como palavrões, grotecismos e postura desleixada. Os cabelos sempre impecáveis, camisas nada amassadas e uma diretriz de quem sabe o que quer.  Aplicou para uma baita vaga em agência enorme, está fazendo free-la para outra inovadora e ganhando aumento atrás de aumento. Vai longe, os amigos dizem. Com tanta pose, até eu acredito.

Olívia é regrada em sua dieta. Evita glúten, cortou a lactose e se alimenta apenas de orgânicos. E só. Serião. Quando vai ao churrasco de amigos, leva sua marmitinha fit. Deixa sempre na bolsa alguns nuts, damascos secos e biscoitos (sem gosto) de arroz. Pensa nos animaizinhos, relembra do inchaço abdominal, garra força na pele, tão mais lisinha e opaca. Morre de saudades das panelas de brigadeiros dos domingos à noite e do pãozinho quente no café da manhã, mas se acostumou com biomassa de banana verde e tapioca. Diz que anda mais disposta, consegue acordar cedo para correr e se sente melhor assim. Ótimo pra ela, não é?

Regina se tornou a amiga monge do grupo. Ela, que muito já foi conhecida como "esquentadinha". De fato, dava uma boiada para não entrar em discussão, mas ia até o fim quando injustiçada (ou, simplesmente, questionada). Batia boca, jogava cerveja na cara, gritava em botecos e já fora expulsa de algumas festas descoladas. Ao deixar o budismo cavar espaço em sua rotina, mudou alguns hábitos. Respira cinquenta vezes antes de responder qualquer grosseria. Guarda para si críticas pontuais, talvez desnecessárias. Conserva sua paz de espírito - bem mais precioso que descobriu no roteiro interno que tem feito dentro de si mesma. Admiro!

Anna decidiu deixar o amor de lado.  Para os conhecidos, era a "a louca dos boys". A cada semana, um novo cara aparecia no rolê. Gata, ela conseguia um aqui e outro ali. Porém, era dessas afobadas: se apaixonava fácil, demonstrava demais e os affairs quase nunca duravam. Agora decidiu estudar francês e ocupar todo aquele tempo falando de mensagens, encontros e pintos com cursos livres e pintura. Encontra mais as amigas, passa mais tempo com os pais e aumentou sua lista de livros lidos neste ano. Parece que logo vai aparecer O HOMEM da vida. Faço votos, mesmo.

Incrível mesmo é quando todas essas minas determinadas se reúnem, aqui dentro de mim. Um dia de alimentação balanceada, outro de força pra não pensar demais em homem, semanas de profissionalismo faca na bota. Alter ego: você já tem um pra chamar de seu?

24 de maio de 2016

A filha pródiga à casa torna




Eu prometi não voltar à Porto Alegre. Parecia feliz a quase mil quilômetros daqui. De fato, tive umas alegrias: boy atrás de boy, emprego na maior editora do país, amigos queridos, um quarto (dois, na verdade) pra chamar de meu. Podia soar como o meu melhor momento, ou a vida ideal da menina de vinte e poucos anos que detesta faculdade, mas adora trampar e escrever. Tava longe de ser.

O único fato true é que a má fase amorosa, a grana sempre curta pra uma São Paulo que me custava os olhos da face e trabalhar cerca de 10h por dia foram esgotando. Voltei a me medicar, passei a caminhar diariamente, sentia saudades da risada infantil da minha irmã e até dos puxões de orelha maternos. Mas como você não é feliz? Fazendo conteúdos que bombam, realizando hangouts, tendo a melhor amiga na rua debaixo? Eu também não sabia explicar. O que aconteceu foi: em novembro, decidi voltar.

O boy que mantinha a distância pode ter ajudado, verdade. Mas, a ideia de uma vida mais fácil me parecia oportuna. Enquanto a maior metrópole brasileira me sugava até a alma, baldeação atrás de baldeação, eu sentia que tornando ao ninho paternal daria pra recomeçar algumas casas à frente. Com o último trabalho no currículo, que agência me menosprezaria? O aluguel por metade do preços, as academias baratíssimas, a ideia de ir e vir de bike de baladas, bares e noitadas na casa de amigos. Enfim, respiraria mais aliviada. Errado.

O que tem pra mim na capital gaúcha? Zero vagas legais pra ganhar uma grana e viver. Um quarto, agora divido com a irmã menor (quem mandou abandonar tudo em 2014, menina Camila?), os pais no ouvido a cada manhã, pressionando pra que eu ache um rumo, um job, um freela, uma vida mais calma. Alguns bons caras que aparecem no caminho, mas me falta sanidade mental - e emocional - pra mantê-los entretidos. Carteira quase sempre vazia. Uma saudade destruidora de ralar o dia todo e chegar em casa exausta, mas fleumática.

A nossa liberdade não tem preço, eu aprendi. Voltar pra casa dos pais é refazer uma barreira que há muito já rompemos e não temos ideia de com o que se constroi. Você sabe? Eu ainda não aprendi - e espero zarpar daqui sem conhecer, admito.

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